Muk Yan Jong

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Aulas de Wing Chun em Rio Preto.

Wing Chun Kung Fu é uma arte marcial chinesa especializada no combate à curta distância.
A prática constante desenvolve consciência corporal, concentração, auto controle e habilidade marcial.
O Wing Chun ficou famoso em todo o mundo por ser o estilo praticado pelo astro de cinema e artista marcial, Bruce Lee, discípulo do grande mestre Ip Man. A linha de Wing Chun Fât Cheong preserva tradição, cultura, filosofia e marcialidade inerentes ao sistema.
Faça uma aula experimental.

Cademia Kazuo Nagamine – Fone: 17- 3227 6922

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Termos na Família Kung Fu

Quando se pratica uma arte marcial tradicional que tem suas origens em outra cultura, é de se esperar, e é até desejado, entrar em contato com boa parte do pensamento, filosofia e costumes do povo aonde essa arte se desenvolveu.

No caso do Kung Fu o praticante acaba absorvendo algumas particularidades da cultura chinesa. Mais do que decoreba teórica, entender um pouco sobre a cultura dessa arte ajuda a compreender melhor o tipo de pensamento envolvido, tornando o aprendizado muito mais interessante e coerente.

Algo preservado em praticamente todas as artes marciais é o uso de nomenclaturas na língua mãe dessa arte, no caso do Wing Chun, por ser um estilo desenvolvido na região sul da China, os termos com nomes de ferramentas, conceitos e tratamentos são apresentados em cantonês.

Outra língua predominante na China, e até bem mais utilizada, é o mandarim. Algumas escolas, talvez procurando tapar as lacunas de alguma nomenclatura, acabam misturando transliterações de cantonês e mandarim em um mesmo termo, o que é, no mínimo, uma incoerência. Transliteração não tem regra fixa para a romanização do ideograma, tenta-se reproduzir o som, que, no caso, possuem diferenças na pronúncia. Ou se usa um ou o outro. Por exemplo:

wckiWING CHUN CHUAN. “Wing Chun” é uma transliteração com base no cantonês, enquanto “Chuan” tem base no mandarim. Não deveriam estar juntos. O correto seria “yong chun chuan” para mandarim ou “Wing Chun Kuen” para cantonês.

Lembrando que se transliteração não tem regra, é comum ver diferentes formas de grafar a arte: Ving Tsun, Wing Tsun, Wing Shun…

Outra confusão bastante vista está no significado dos termos utilizados entre os membros da família Kung Fu, tipo: Si Hing, Si Je, Si Dai… Termos que originalmente referem-se à situação de um membro da família perante outro. A lógica é até muito simples, basta fazer a relação com o tratamento que você usa dentro da sua própria família de sangue: Pai, irmão mais velho, tio etc.

siVamos dar um exemplo: “Si Hing”, “Si” significa algo próximo de “aquele que sabe”, que “tem um conhecimento” e “Hing” é “irmão mais velho”. Logo qualquer um que tenha iniciado seu aprendizado antes de você será seu “irmão mais velho”. O mesmo vale para “Si dai”, sendo “dai” equivalente a “irmão mais novo”, refere-se a qualquer um que tenha iniciado seu aprendizado depois do que você, ou seja, seu irmão mais novo. Isso o torna, automaticamente, em “Si Hing” desse aluno.

termosPQIsso nos faz entender que tais termos não são “títulos”, “posições hierárquicas” dentro da família. São termos utilizados para se referir ao outro e não a si próprio. Dentro do entendimento tradicional é um equívoco alguém dizer, por exemplo, “Eu sou Si hing” ou “Eu sou Si Sok”, o correto seria “Sou Si hing de fulano” ou “Sou Si Sok de beltrano”. Não são termos para designar níveis de aprendizado, a mesma pessoa que é “Si Fu”, o pai dos seus alunos dentro da família Kung Fu, também é um Si Dai (irmão mais novo) em relação ao seu irmão mais velho de treino.

É comum ver escolas utilizando, em especial, o termo “Si Hing” na condição de “instrutor” ou coisa do tipo, fugindo um pouco do significado original. Mas é tão amplamente utilizado e aceito por tantas escolas que já virou uma espécie de neologismo.

Se quiser saber mais sobre o assunto, o meu Si Hing Minoru publicou artigo com tema semelhante em seu blog onde descreve com mais detalhes outros termos e seus significados. Clique AQUI.

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Siu Nim Tau

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De forma tradicional o Wing Chun é dividido em seis níveis, sendo Siu Nim Tau o primeiro nível do sistema. Numa tradução literal temos Siu (pequeno) Nim (contemplação) Tau (cabeça – Aqui dando entendimento de “início”).
sntideogramaO “Início da pequena contemplação”. Algumas linhagens usam “pequena ideia”. O próprio nome já dá indícios de que se trata da apresentação dos conceitos e ferramentas básicas, permitindo ao praticante começar a entender a proposta desse estilo.  Não faltam postagens na rede mostrando os movimentos iniciais da forma, fotos com aplicações etc. Por isso pretendo explorar nesse texto não exatamente o aspecto mecânico de posturas, ferramentas e aplicações, mas o comportamento e expectativas do praticante diante desse nível tão importante, que será a base para o progresso e desenvolvimento dentro do sistema.

iniciantesntEm tempos de popularização das lutas pelo MMA, e até antes disso, é comum o aluno entrar em uma escola de artes marciais e já se imaginar trocando porrada com os colegas. A “forma” pouco importa. O que vale é o resultado, o “ganhar a luta”. Não é difícil fazer a alegria desse tipo de aluno, basta cobri-lo com um apanhado de equipamentos, colocar ele diante de outro na mesma situação e deixar a coisa rolar para ver o que acontece. Esse aluno, mesmo sem ter a menor noção dos conceitos, estratégias e proposta estrutural do estilo marcial que resolveu estudar, vai se sentir caminhando a passos largos no entendimento da arte pelo simples fato de “estar em ação”.  Ledo engano. A própria filosofia do nível Siu Nim Tau mostra que não é bem assim.

Wing Chun é um sistema sofisticado, sua proposta de luta é fortemente amarrada por conceitos que só terão serventia se habilidades específicas e seu entendimento atingirem uma maturidade mínima. Sem isso não passa de movimentos decorados que simplesmente somem na hora da luta.

A “ação” propriamente dita, do treino duro, com suor e vontade, deve dividir espaço com a “não ação”, o ato de parar para pensar, analisar, interpretar…  Desenvolver o hábito de “prestar atenção” e entender os mecanismos que regem cada situação. Comportamento que deve ser visto não apenas como forma de nortear seu treinamento, mas também algo para a vida.

ninUma interpretação mais conceitual utilizada na linhagem Fât Cheong é “Comece pelo ego”. Por isso o nível Siu Nim Tau é o momento em que o aluno deve aprender a controlar a ansiedade, deixando de lado toda e qualquer ambição ou projeções futuras e se concentrar no “aqui e agora”, aceitando e absorvendo de corpo e alma o que lhe está sendo oferecido. Não é o momento de descartar e sim de receber. Ausência de meta.
Em início de aprendizado a preocupação excessiva com o resultado, em ganhar do outro a todo custo, muitas vezes se escorando unicamente na força física em detrimento da técnica ou proposta da luta, acaba atrapalhando, e muito, o desenvolvimento.

siubaseNão a toa um dos Kuen Kwit (ditado marcial) desse nível é CHO HOK MOU YOUNG LEK, “iniciantes não devem usar força”.

Com paciência, dedicação e comprometimento logo o estudante começa a desenvolver a energia, postura e visão estratégica coerentes com a proposta do sistema, que lhe servirão de base para, aí sim, buscar a aplicação de conceitos e ferramentas em combate livre, abrindo caminho para avançar nos níveis seguintes e prosseguir seu desenvolvimento.

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Força de estrutura

Jong Sau – Estrutura de braços, lembra um triângulo apontando para a linha de ação, como se fosse uma “cunha”

Jong Sau – Estrutura de braços, lembra um triângulo apontando para a linha de ação, como se fosse uma “cunha”

No final de 2013 muitos ficaram chocados com a séria contusão do atleta e ídolo do MMA Anderson Silva.

Esportista de alto nível, Silva treinou duro para recuperar o cinturão de campeão da categoria quando, em um chute mal sucedido, acabou sofrendo uma séria fratura na tíbia e fíbula da sua perna esquerda.

O fato é que, quando vi a cena, além da imagem chocante da deformação do tornozelo de Silva, o que realmente me chamou a atenção (e é o verdadeiro motivo de escrever isso aqui) foi a proximidade com uma situação recorrente dentro do sistema de luta do Wing Chun. Não, não digo que todo mundo sai de lá com a perna quebrada, mas sim o uso de um tipo de força baseada na estrutura e posicionamento do corpo. A esse conceito de potencializar o uso de força com base na estrutura mecânica podemos chamar de Lek Jong.

Sendo consciente ou não, Weidman realizou um movimento bem próximo do que chamamos de “Lan Kiuk” (Lan – barreira, Kiuk – perna), cobrindo a linha de ação percorrida pelo chute, impedindo que este alcançasse seu alvo, atingindo no lugar uma forte estrutura proporcionada pela angulação da perna. Nesse caso específico faz com que o adversário tenha a sensação de ter acertado uma verdadeira pilastra sólida e intransponível.

lankiukcWing Chun tem um intenso trabalho de estrutura e angulação, que posiciona corpo e ferramentas de forma a oferecer ao adversário as proeminências ósseas que cobrem as áreas pela qual percorre o ataque.

Longe da simples intenção de “bloquear”, a execução desse tipo de técnica exige uma ótima base e percepção afiada para interceptação, sendo a fluência na movimentação algo fundamental para obter o devido sucesso em sua aplicação.

lankiukO corpo devidamente alinhado potencializa, e muito, a força necessária para receber o golpe. É uma força gerada não apenas pelos músculos, mas pela estrutura e posicionamento corporal.

Como quase tudo em Wing Chun, a ótica segue a linha de raciocínio do “conceito” e não da “técnica isolada”. A aplicação desse conceito estrutural se estende para diversas ferramentas e situações.

O centro de equilíbrio mais baixo proporciona uma base propícia ao estilo de luta do Wing Chun, vira uma espécie de alicerce, que acaba sendo fundamental tanto no ato de interceptar, desferir o ataque ou o simples ato de avançar pressionando e quebrando a estrutura da base adversária, bem característica do estilo.

Por conta desse tipo de proposta peculiar o uso das ferramentas de Wing Chun acaba funcionando melhor sempre quando usados “em cadeia”. Dependem muito desse comportamento corporal casando com sua proposta de ação. Habilidade essa que deve ser treinada desde o nível Sil Nin Tau.

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Apresentação

ilustrawcA ideia de iniciar um blog sobre Wing Chun veio mais da vontade de falar sobre essa arte que tanto admiro do que mera pretensão de transmitir verdades absolutas sobre o estilo.

Qualquer um que já foi mais à fundo na arte sabe que linhagens diferentes podem ter interpretações distintas sobre determinados assuntos.

Praticante desde 1990, passando por duas linhagens e pesquisador do assunto desde sempre, venho nesse espaço tentar dividir impressões e vivências que adquiri até aqui.

Como boa parte dos praticantes brasileiros, tomei contato com o Wing Chun pela linhagem da antiga UNK, do mestre Marco Natali, através dos professores Daniel Marcatto e Vandinei Cristante, representantes da organização na época.

Aos dois fica meu eterno agradecimento por ter me apresentado ao estilo de tal forma que plantou em mim o desejo de aprender e me aprofundar cada vez mais nessa arte. Sem eles eu sequer estaria escrevendo essas linhas.

Pratiquei essa linha por muitos anos, completando todos os níveis que compunham a grade de conteúdo aprendida por meus antigos sifu. Porém, sempre buscando informações sobre a arte, fui sentindo uma necessidade de me aprofundar mais dentro da proposta do sistema. Tive contato com outras linhas, participei de seminário internacional… Vivências que só reforçavam a intenção em aprimorar o Wing Chun que havia aprendido até então.

Foi quando, em 2011, conheci mestre Peterson Menezes e a linhagem Fât Cheong.  Baseado no que havia estudado e pesquisado até ali, encontrei nessa linha um Wing Chun que preenchia todas as minhas expectativas, tanto na que diz respeito ao conteúdo filosófico e cultural, como o marcial. Desde então, junto ao amigo e também professor de Wing Chun Tiago Bezerra, estudamos e representamos essa linhagem na cidade de São José do Rio Preto.

Esse blog é uma forma de dividir pensamentos e curiosidades sobre a arte e divulgar o trabalho que fazemos por aqui.

Abraço e espero acrescentar alguma coisa aos que vierem dedicar um pouco do seu tempo visitando esse espaço.

Walmir Orlandeli

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